Quando perguntei há minha mãe em que hora exata tinha
sido o meu nascimento, ela não teve dúvidas ao responder-me: exatamente as 07h45min. Imaginei então
uma manhã de verão, com muito Sol àquele dia 07 de dezembro do ano de 1949. Meu
despertar para a vida estava definido: estou no mundo, sem desculpas; minha
ação e o meu “que fazer”, irão ou não, me garantir “Ser-no-mundo”.
Quando um novo “Ser” desperta para a vida o mundo
sorri como se os dias ensolarados do verão fossem uma constante; infinitas
possibilidades se fazem presentes para que o trânsito no mundo se concretize de
forma única e sem retorno. A caminhada é sempre um passo ao futuro e o passado
é apenas uma caixinha de recordações que serve para uma eventual consulta
saudosa ou com vistas ao aprendizado. O presente é efêmero, como um ínfimo fio
de ligação entre o que passou e o que está por acontecer.
Este meu momento presente, este agora em que escrevo sobre o passado,
possibilita-me uma exclamação: cheguei até aqui! “Ser” neste agora me obriga a datá-lo, a marcá-lo, a gravá-lo num
texto escrito como se fosse impresso a ferro e fogo com letras infinitas para
que o mundo pudesse lê-lo.
Meu tempo é único e o meu fazer neste tempo
exige-me uma permanente reflexão sobre o feito. Talvez por isso a pergunta
permanente no mundo da filosofia nunca vá perder o sentido: o que faço no mundo?
Dos tantos fazeres existe aquele que nos reproduz.
Nós, ao mesmo tempo em que nos fazemos, fazemos o próprio mundo; e neste fazer
nos reproduzimos. Talvez essa reprodução nos leve a eternidade.
Os verões de dezembro e as mães que não esquecem as
horas e as datas dos dias de Sol em que seus filhos suspiraram pela primeira
vez para a vida serão sempre eternos se a cada agora pudermos “Ser” e não
somente “estar” no mundo.
À minha descendência:
09 de setembro de 1969
Maximiliano
17 de outubro de 1970
Maurício > Tábata
>> 02 de fevereiro de 2002 e Pedro >> 31 de maio de 2006
09 de maio de 1982
Maíra > Marina >>
2017
22 de abril de 1988
Caroline > Isabella
>> 2013
08 de junho de 2003
Mariana
Aquele que gera um Ser, nele
vive!
E também por isso somos
eternos.
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